terça-feira, 26 de julho de 2011

Coração de Um Peão


POV: Edward


            Desde criança eu acompanhava meu pai nas viagens de boiadeiro. Ajudava a abrir porteiras, tocar o berrante, ver a poeira subindo com os bois passando... mas o que eu mais gostava, era passar em frente a fazenda dos Swan. Sempre de uma janela do ultimo andar eu via uma garotinha linda. Cabelos cor de chocolate, pele branca... nunca cheguei perto dela. Mas sempre que passava em frente a fazenda, fazia questão de tocar eu mesmo o berrante, só para vê-la aparecer na janela com um sorriso largo acenando para mim.
         Nem ao menos sabia o seu nome. Pensava nela apenas como a garotinha dos cabelos de chocolate.
         Com o passar dos anos, ela foi ficando ainda mais linda, mas nunca deixou de aparecer naquela janelinha, do ultimo andar da casa para acenar para mim e minha tropa.
         O que eu nunca imaginei, é que essa garotinha – hoje uma mulher – que nunca ao menos pude ver de perto, que nem mesmo sabia o seu nome, pudesse um dia, laçar o meu coração.

POV Bella.

         Sempre tive um estranho fascínio pelos peões de boiadeiro. Talvez pela coragem de passar dias e mais dias na estrada, seja sol ou seja chuva, talvez pelo espírito aventureiro que eles tem. As criadas da fazenda sempre falam que os boiadeiros só sossegam quando alguém consegue laçar o coração deles. Eu queria laçar o coração de um.
         Ele era lindo. Desde criança eu o vejo passando em frente a fazenda. No inicio era na garupa de alguém que parecia ser o pai dele. Sempre que o via, ele estava com o berrante na mão, olhando diretamente na minha janela. Pela distancia, a única coisa que eu podia ver, era seus cabelos num estranho tom de bronze, quando ele tirava o chapéu, numa forma de cumprimento. E sua pele, que quando era novo, tão branca quanto a minha, mas agora, era meio bronzeada pelo sol. Muito lindo.
         Sempre que sua tropa passava em frente a fazenda, eu ouvia o som – já familiar – do berrante dele. Eu corria para janela, a tempo de ver seus olhos fixos nos meus. Nunca pude distinguir a cor, mas devia ser tão lindo como ele.
         Quem me dera, um dia laçar o coração desse peão.


Capitulo 1


PEÃO –  Zé Henrique e Gabriel

Diga, você me conhece eu já fui boiadeiro
Conheço essas trilhas
Quilometros e milhas
Que vem e que vão
Pelo alto sertão
Que agora se chamam não mais de sertão
Mas de terra vendida, civilização

Ventos que arrombam janelas
E arrancam porteiras
Esporas de prata riscando as fronteiras
Celei meu cavalo
Já pulando farto
Andando ligeiro
Com abraço apertado
E um suspiro dobrado
Não tem mais sertão

Os caminhos mudam com o tempo
Só o tempo muda um coração
Segue seu destino boiadeiro
Que a boiada foi num caminhão

A fogueira, a noite
Redes no galpão
Um paieiro, a moda
Um maate, a prosa
Saga e sina
Causo e onça
Tem mais não
Oi, peão

Tempos e vidas compridas
Com poeira e estrada
Histórias contidas
Nas encruzilhadas
Em noites perdidas
No meio do mundo
Mundão cabeludo
Onde tudo é floresta
E campinas silvestres
Mundão caba não

Sabe que um bom viajante
Nada é distante
Um bom companheiro
Pouco dinheiro
Existe uma vida
Uma vida vivida
Sentida e sofrida
Que fez por inteiro
E este é o preço
De eu ser brasileiro

Os caminhos mudam com o tempo
Só o tempo muda um coração
Segue seu destino boiadeiro
Que a boiada foi num caminhão

A fogueira, a noite
Redes no galpão
Um paieiro, a moda
Um maate, a prosa
Saga a sina
Causo e onça
Tem mais não
Oi, peão (3x)

         Mais um dia chegava ao fim e eu ainda estava na estrada com a minha tropa. Acabava de fazer um transporte de boiada de Sorocaba, em São Paulo a Uberlândia, Minas. Agora meu destino era Uberaba, aqui em Minas mesmo, onde mora minha irmã, Meus pais e minha irmã, Alice. Minha família há tempos reclamava que passava pouco tempo com eles. Tentaria chegar a tempo para passar o fim de semana lá.
         - Edward, já está tarde meu irmão. Precisamos achar algum lugar para passar a noite. – Emmett me chamava.
         Suspirei. Mais algumas horas estaríamos em frente a fazenda dos Swan. E eu veria a linda menina pela janela de novo.
         - Onde sugere que passamos a noite Emmett? No meio da estrada? – disse com sarcasmo.
         Ele não disse nada. Com certeza pensava isso mesmo. Eu mereço.
         - Edward, a fazenda do Sr. Swan não fica a poucas horas daqui? – perguntou Jacob, um dos meus melhores amigos.
         Pensando bem, eu teria mais chances de vê-la, se amanhecesse lá. Não é má idéia.
         - Vamos pra fazenda Swan então, cambada! – gritei para os meus amigos e seguimos correndo com os cavalos para a fazenda. A minha maior esperança era de ver aquela linda garota de perto.

         POV Bella.

         Já passava um pouco das nove da noite, quando ouvi vários murmúrios vindos do terreiro. Olhei interrogativamente para Rosalie, minha prima, que agora trançava os meus cabelos.
         - O que será que esta acontecendo? – perguntei a Rose.
         - Vem do terreiro. Vem cá. – ela foi me puxando em direção a janela.
         Quando cheguei no para-peito da janela, meu coração perdeu uma batida. La estava ele, o meu peão de cabelos acobreados. Ele e sua tropa estavam conversando alguma coisa com o meu pai. O que será que eles estão fazendo aqui?
         - Bella, eu vou lá ver o que o que esta acontecendo. – disse Rose. – você vem?
         Bem que eu queria.
         - Não Rose. Depois você me conta, ok? – se eu fosse lá, o que eu iria falar? É melhor ficar aqui mesmo.
         Rose apenas assentiu com um aceno e saiu do quarto. Eu ainda fiquei um bom tempo na janela apenas admirando aquele homem lindo que eu já observava desde menino. Pena que ele nunca olhou pra mim.
         Eu ainda esperei por um tempo, mas Rose não apareceu mais. Já passava das dez da noite quando fui para a cama, mas mesmo assim, não dormi bem. Acordei inúmeras vezes pensando no meu peão.


Cap 2



POV EDWARD

         Ao chegarmos na fazenda dos Swan, fomos recebidos pela capataz que nos indicou um galpão onde poderíamos passar a noite. Tinha um lugar onde pudemos amarrar os cavalos para que pudessem descansar também.
         Dentro do galpão, alguns armaram algumas redes, outros deitaram sobre os restos de feno. Eu me deitei numa rede e tentei dormir.
Só tentei.
Alguma coisa me impedia de dormir. Tentava achar alguma posição confortável, mas o sono não vinha. Ah certa hora, eu desisti e resolvi sair um pouco, pensando que talvez o ar fresco ajudasse.
Sob a luz da lua, pude ver no meu relógio – que fora herança do meu avô – que passava pouco das três da manhã. Estava muito escuro, e a pouca luminosidade que tinha, vinha da lua cheia e pouco a frente, na sede da fazenda, uma luz fraca podia ser vista de uma das janelas do segundo andar.
Me sentei em um dos troncos que estavam postos ao redor de onde tinha vestígios de uma fogueira.
Fiquei nem sei quanto tempo ali. Quando dei por mim, o sol já despontava, dando um leve colorido em volta de mim. Resolvi voltar para dentro e começar a arrumar as coisas para partirmos em breve.

Já passava das sete da manha, quando já estamos com quase tudo pronto para partirmos. Se tudo desse certo, até sábado a tarde eu estaria chegando à casa dos meus pais.
Eu estava dando água para o meu cavalo, quando o capataz da noite anterior se aproximou de mim.
- Ô boiadeiro! O patrão quer falar com você!
Eu assenti e chamei Emmett.
- Emmett, termine de dar água aos cavalos aqui, que eu já volto.
- Pode deixar.
Eu segui o capataz em direção ao enorme casarão dos Swan. Era uma casa muito bonita, mantinha o estilo das casas de época conservado, toda pintada de branco com detalhes em azul escuro nas janelas e rodeada por um gramado bem cuidado e algumas flores.
Fui para a entrada da casa, onde fui recebido por uma empregada de meia idade que sorria para mim.
- Olá, o patrão ta lá na sala de jantar. Deixe que eu o acompanho.
- Obrigado – murmurei.
A casa era ainda mais linda por dentro. O estilo rústico também era conservado nos moveis e nas peças antigas de decoração típica do final do século XIX.
Ao chegar na sala de jantar me deparei com o Sr. Swan sentado à uma imponente mesa comprida de mogno, forrada por um crochê branco. Sobre ela, um farto café-da-manhã.
Do lado direito da mesa, estava a Sra. Swan. Era uma senhora bonita. Deveria ter uns quarenta anos; tinha os cabelos louros e olhos azuis e tinha um sorriso amigável no rosto. Já o Sr. Charlie Swan, tinha na expressão quase sempre seria, um sorriso que parecia forçado.
- Sente-se meu rapaz – Sr. Swan apontou a cadeira ao seu lado esquerdo. – tome café conosco.
- Com licença – pedi me sentando. A empregada começou a me servi pães de vários tipos e uma xícara de café.
- Então... Edward, não é? – perguntou.
- Sim. Edward Cullen.
- Seu nome não é muito comum – observou.
- Minha família não é do Brasil.
- Ah sim. Então Edward, eu acabei de comprar algumas cabeças de gado, mas a estrada para se chegar ao sitio não está em condições para se passar uma carreta. Gostaria de saber se pode fazer esse transporte para mim.
Era sempre assim hoje em dia. Primeiro se deve preferência as carretas e caminhões. Os boiadeiros sempre ficavam como segunda opção.
Suspirei. Os tempos estavam difíceis. Não podia me dar ao luxo de recusar trabalho.
- Para quando? – perguntei.
- Bom, se você estiver disponível, essa semana mesmo.
Gemi internamente. Alice iria me matar se eu não aparecesse lá esse fim de semana... Ah, mas ela teria que entender.
- Por mim, tudo bem. Eu topo.
Ele já ia dizer mais alguma coisa, mas sua atenção foi desviada para alguém que entrava no cômodo.
Me virei em direção da porta e meus olhos se prenderam na criatura tímida que estava lá.
Usava um vestido azul claro que moldava-se perfeitamente ao corpo cheio de curvas voluptuosas. Seus cabelos cor de mogno caiam sobre os ombros e iam ate sua cintura fina e seus olhos... por um instante me perdi no mar de chocolates me encaravam... nunca havia visto nada igual.Quando terminei minha análise, uma luz se acendeu em minha cabeça.
Era ela.
Era ela a garotinha do ultimo andar, que sempre estava na janela quando eu passava. Era ela a garota que habitava os meus sonhos desde criança, mais linda do que um dia eu imaginei.
Fui tirado dos meus devaneio quando a voz grave do Sr. Swan soou atrás de mim.
- Bella? – ele a chamou. – Bella, esse é Edward Cullen. Edward, essa é Isabella, minha filha. – nos apresentou.
Ela tentou se recompor por um momento. Parecia tão choque quanto eu.
- Muito prazer Sr. Cullen – sua voz era uma melodia suave aos meus ouvidos. Ela estendeu a mão tremula para mim.
- Só Edward. O prazer é meu Srta. Isabella. – levei sua mão ais lábios e me deliciei com sua maciez.
- Edward... – tremi levemente ao ouvir meu nome em sua voz – me chame de Bella, por favor.
- Bella... – disse apenas, como se eu estivesse experimentando a forma como seu nome sai de meus lábios. Suas bochechas coraram a deixando ainda mais linda.
Ela se sentou na cadeira ao lado da minha e começou a se servi com o café-da-manhã. Dei uma ultima olhada para ela e ainda pude perceber suas bochechas vermelhas.

Capitulo 3

Sonhando... era isso que estava acontecendo.
Eu só podia estar num sonho.
Não... nem nos meus sonhos mais fantasiosos eu fazia jus a beleza quase inumana que se encontrava a minha frente.
O homem que por tantos anos admirei da minha janela, estava agora na minha frente, a poucos passos de mim, mais lindo que um dia eu pude imaginar.
Cabelos revoltos acobreados que pareciam tão macios e sedosos que senti uma estranha vontade de enroscá-los nos meus dedos; ele era mais alto que imaginei – no mínimo 1,80 –, tinha ombros largos e mesmo sob a roupa, pude perceber o peitoral másculo e definido. Por ultimo, seus olhos. Tão profundos e intensos que me senti mergulhando naquele mar de esmeraldas brilhantes.
Eu estava sem ação; estática. Parecia que eu estava prisioneira naquelas orbes verdes.
Só consegui sair do meu torpor quando ouvi meu pai me chamando. Tentei me recompor rapidamente.
- Bella? – ele me chamou. – Bella, esse é Edward Cullen. Edward, essa é Isabella, minha filha. – nos apresentou.
Edward... esse era o nome dele. Não era um nome muito comum, mas era lindo, assim como ele.
- Muito prazer Sr. Cullen – tentei ser formal e lhe estendi minha mão – que estava tremula – num cumprimento.
- Só Edward. O prazer é meu Srta. Isabella. – sua boca roçou levemente em minha mão, me fazendo estremecer delicadamente com essa caricia. Sua voz era rouca, macia e sexy.
- Edward... – tentei dizer, lutando para não soltar um gemido – me chame de Bella, por favor. – pedi.
- Bella... – ele disse meu nome de forma tão sensual que me fez estremecer novamente com os pensamentos totalmente impuros que se apossaram da minha mente. Senti minhas bochechas queimarem.
         Senti minhas pernas fraquejarem e me tratei de sentar rapidamente. Sentada ao lado dele, senti seu aroma me invadir. Era inexplicável. Não era cheiro de colônia. Era simplesmente sem palavras.
         Comecei a comer, sem nem mesmo ver o que levava a boca. Minha mente estava focada apenas no homem ao meu lado, que conversava amenidades com meu pai. Na verdade, a única coisa que prendia minha atenção era o som de sua voz aveludada. Fui desperta de meus devaneios quando ele começou.
         - Sr. E Sra. Swan, Srta. Isabella – seus olhos caíram em mm – o café estava ótimo, mas eu tenho que me encontrar com os outros. – ele disse.
         Meu pai pigarreou.
         - Ah claro Edward. Mais tarde lhe procuro para acertarmos os detalhes.
         - Bella, querida, por que não acompanha o Sr. Cullen até a porta? – pediu mamãe.
         - Claro, venha Edward – corei um pouco ao dizer seu nome.
         Segui em direção a porta da frente, com Edward no meu encalço. Eu podia sentir seus olhos queimando em minhas costas.
         Quando chegamos a varanda da frente, observei que nenhum dos empregados estavam por perto. Me virei para que pudéssemos nos despedir. Esse pensamento me fez sentir um aperto no peito; talvez eu nunca mais o visse.
         Porém, ao me virar, deparei-me com duas esmeraldas flamejantes me encarando tão intensamente que me fez ofegar pelo ar que se esvaiu de meus pulmões.
         Ele estava perigosamente perto. O aroma que exalava de seu corpo me inebriava, nublando minha mente quase que por completo.
         Seu rosto se aproximava cada vez mais de encontro ao meu. Quando já estávamos a centímetros um do outro, senti seu hálito doce se misturando ao meu, me fazendo suspirar de prazer e meus lábios se abriram levemente num ato involuntário.
         Esse ato pareceu incentivá-lo. Suas mãos fortes lentamente – porem firmes – foram para minha cintura, me puxando em direção ao seu peitoral definido, me inebriando ainda mais com seu cheiro másculo.
         Minhas mãos, quase que automaticamente foram para sua nuca, enroscando meus dedos e seus fios acobreados, puxando sua face para a minha.
         Meu mundo parou quando seus lábios roçaram levemente nos meus, apenas provando.
         Ficamos assim até que a necessidade de aprofundar o beijo se tornou mais urgente. Sua língua pela minha boca, da qual, eu prontamente atendi. Ela entrou lasciva provando os quatro cantos da minha boca, para logo depois se enroscar na minha numa dança erótica.
         Quando respirar se tornou necessário, sua boca desceu para o meu pescoço, distribuindo beijos e deixando um rastro de fogo na minha pele, onde passava.
         Quando nossas respirações se normalizaram, ele me soltou e olhou nos meus olhos sempre com aquela mesma intensidade, como se pudesse ler minha alma. Esqueci como se respirava.
         Ele selou mais uma vez nossos lábios e sussurrou perto do meu ouvido, me causando arrepios.
         - Até breve, Srta. Swan. – e mordiscou o lóbulo da minha orelha.
         Ele foi se afastando, me deixando sem reação.


Capitulo 4 – POV Edward


         Louco. Eu só podia ser um louco completo.
         O que eu estava pensando?
         Não... Era esse o problema... Eu não estava pensando.
         Mas desde o momento em que ela entrou naquele cômodo, o foco dos meus pensamentos ficou voltado completamente para ela.
         Bella... Era o nome da mulher mais linda que havia conhecido até hoje...
         Agora que eu percebia o que havia feito. Mas não estava arrependido.
         Não... Arrependido nunca. Beijá-la foi a melhor coisa que eu já havia provado em toda a minha vida. Seus lábios se movendo junto com os meus, era uma sensação indescritível. Sua cintura fina se encaixava perfeitamente em minhas mãos, como se tivesse sido feitas para mim.
         Mas que pensamento era esse? Não... Isabella nunca poderia ter sido feita para mim. Nós vivíamos em mundos diferentes. A família dela era rica e tinha grandes posses. E eu? O que eu tinha para oferecê-la?
         Uma vida sem rumo? Sem lugar certo, ou ate mesmo um destino certo. Minha família não era pobre. Mas também não éramos ricos. Tínhamos apenas o suficiente para sobreviver... Mas não era nada comparado o que a família de Bella tinha.
         Bella não era feita para mim.
         Esse pensamento me fez sentir um aperto estranho no peito. Eu não sabia explicar o que estava sentindo, mas era forte. Tanto que doía.
         Eu me aproximava do galpão onde estavam os rapazes, mas minha mente estava longe. Mais especificamente, na varanda do casarão.
         O sabor de seus lábios doces não saia da minha mente. A forma com que nos encaixávamos perfeitamente... O seu perfume... Era espetacular. Parecia morangos e mais alguma coisa que não pude identificar. Tentei pensar em alguma outra coisa, mas não dava. O nosso beijo pode ate ter sido precipitado, mas eu havia curtido cada momento, o que me fazia ter certeza de que eu nunca mais o esqueceria.
         Eu falei com os rapazes sobre o que o Sr. Swan me ofereceu e todos concordaram, e ele então, conversou comigo e combinamos de que eu e os outros partiríamos no seguinte, logo pela manha.
         Mais a tarde senti uma estranha vontade de andar a cavalo. Era uma sensação libertadora para mim. Pulei em meu cavalo que já estava celado e sai correndo na propriedade da fazenda.
         Era maravilhosa a sensação do vento batendo no rosto. Já não sabia há quanto tempo eu estava lá. Mas sabia que em breve teria que voltar. Não queria me afastar muito. Já estava pronto para dar meia volta, quando escutei um trote se aproximando.
         Meu cavalo já estava quase parando e o outro passou por mim tão rápido que não pude ver o rosto de quem estava montando. Mas o cheiro de morangos era inconfundível para mim.
         Assim que Bella passou por mim, não perdi tempo em ir atrás.
         O cavalo dela era veloz, mas eu consegui ficar junto. Ela olhou para mim e deu uma piscadinha e saiu ainda mais rápida do que antes.
         Se ela queria uma corrida, era isso que ela iria ter.
         Ficamos muito tempo assim, correndo com nossos cavalos. Mas a danada era rápida e eu não consegui ultrapassá-la nenhuma única vez.
         Quando os animais ficaram cansados, ela fez menção de descer, mas a impedi. Desci do meu cavalo e fui na sua direção, oferecendo a minha mão para que ela pudesse se apoiar.
         - Obrigada. – ela murmurou. Quando nossas mãos se tocaram, a mesma corrente elétrica de mais cedo passou por nós novamente e ela corou.
         Eu sorri para ela. Era uma sensação boa ter sua mão na minha.   
         - Você foi bem – a elogiei.
         - Obrigada – repetiu, suas bochechas ganhando um tom ainda mais forte de escarlate. – mas você é melhor. – completou.
         - Eu não consegui vencê-la. – sorri.
         - Foi graças ao Trovão... Ele é um excelente cavalo. – apontou para o animal de pêlos negros e reluzentes que estava ao seu lado.
         - É um belo cavalo – observei.
         Ela abriu aquele sorriso que eu amava.
         - Trovão já esta na família desde pouco depois que eu nasci. – ela disse. Começamos a andar e ouvi o som familiar de água. Pelo som, estávamos indo em direção a um rio.
         As águas do riacho eram lindas; cristalinas.       Quando nos aproximamos, amarrei meu cavalo num tronco caído para que ele pudesse beber água. Bella fez o mesmo com o dela.
         Depois nos aproximamos de uma arvore grossa que parecia ser bem antiga. Nos sentamos encostados nela.
         - Você tem quantos anos Bella? – a curiosidade de repente caiu sobre mim. O seu rosto era tão jovem, quase infantil, porem, ao mesmo tempo, eu via uma mulher madura.
         - Eu tenho dezoito. – a olhei bem. Ela realmente parecia mais nova. Seu rosto era tão delicado que parecia um anjo. Mas ao mesmo tempo, tinha um ar de mulher que irradiava dela.
         - Não parece ter dezoito. – acabei falando a verdade.
         Ela riu um pouco.
         - E quanto eu pareço ter? – perguntou com um ar divertido.
         - Não sei... Ao mesmo tempo em que você parece mais nova, parece ser mais velha. Confuso, eu sei. – eu ri da minha própria estupidez, senti minhas bochechas esquentarem um pouco.
         - Você não é o primeiro a dizer isso. – ela garantiu. Olhei em seus olhos castanhos e vi que ela falava a verdade. – minha mãe e minha prima Rose falam isso o tempo todo. – ela tinha um sorriso delicado no rosto quando terminou de falar.
         - Que bom que não sou o primeiro.
         Nós ficamos alguns segundos em silencio. Seus olhos de chocolate estavam fixos nos meus. Nós estávamos sentados muito próximos e seu cheio me inebriava. Não conseguia pensar com clareza com ela tão próxima de mim. Lembranças de mais cedo invadiram a minha mente.
         - Bella... – tentei dizer alguma coisa coerente, mas minha voz falhava vergonhosamente – sobre mais cedo...
         - Shhiii – foi a única coisa que eu me lembro dela ter dito antes do meu mundo parar.
         Pela segunda vez naquele dia nossos lábios se encontraram.
         Sua boca avançou sobre a minha fazendo com que todo o ar dos meus pulmões se esvaíssem com a surpresa. Dessa vez ela que estava no comando. Nossas bocas se moldavam perfeitamente num beijo casto, mas ao mesmo tempo carregado por alguma coisa que ainda não conseguia identificar.
         Ela aproximou seu corpo do meu, ficando de joelhos a minha frente. Suas mãos voaram para os meus cabelos e as minhas foram para sua cintura fina e delicada, sem que em nenhum momento quebrar o beijo.
         Minha língua afoita pediu passagem por sua boca macia. Provando mais uma vez aquele sabor que para mim já era tão familiar. A puxei para o meu colo e a prendi firmemente contra mim.
         Seu corpo pequeno se encaixava perfeitamente no meu, como se fossemos um quebra-cabeça que se completava.
         Bella passou uma de suas pernas para o lado, fazendo com que nossas intimidades ficassem próximas. Ela rebolou sobre mim, fazendo com o meu amigão lá em baixo ficasse animado numa velocidade impressionante. Mesmo com o tecido de nossas roupas eu podia sentir o calor que irradiava do corpo dela.
         Quando o maldito ar se fez necessário, nós nos separamos e eu desci minha boca ao seu pescoço e inspirei lentamente, sentido o seu cheio maravilhoso. Distribui alguns beijos por lá e fui subindo novamente ate chegar ao seu ouvido. Mordi o lóbulo e logo em seguida beijei-o. Ouvi Bella gemer baixinho e rebolar mais uma vez sobre minha ereção.
         Segurei o gemido que ameaçou sair da minha garganta. Essa menina ia acabar comigo desse jeito. A segurei firme pela cintura e disse ao pé de seu ouvido.
         -Não faz isso comigo Bella. – sussurrei.
         Ela nada disse. Apenas apertou meus cabelos entre seus dedos.
         Eu precisava aplacar esse desejo crescente dentro de mim. Numa atitude impensada, me levantei e peguei Bella no meu colo, ouvindo os baixos protestos dela e corri em direção ao rio que estávamos a metros de nós.
         Quando ela percebeu minhas intenções, Bella virou o rosto apavorado em minha direção.
         - Você não faria iss.... – mal dei tempo dela terminar a frase e mergulhamos nós dois nas águas claras do rio.
         Apesar de que já estávamos na parte da tarde, o dia estava bem quente e com Bella ao meu lado não estava facilitando as coisas. A água fria foi a minha ultima esperança para não fazer nada de que talvez ela pudesse se arrepender mais tarde.
         Me enganei completamente...
         Parecia que tudo estava em câmera lenta. Bella surgia lentamente na água. Seus cabelos estavam negros e seu vestido azul ficara meio transparente, revelando um tecido rendado sob ele.
         E o calor voltou com força total sobre mim.


Capitulo 5 – Pov Bella


         Eu sentia que iria entrar em ebulição espontânea a qualquer momento.
         A partir do momento em que senti os lábios de Edward junto aos meus naquela manhã, toda a minha sanidade se esvaiu de minha mente, dando espaço ao único foco que meus pensamentos tomaram: ele.
         Quando Edward me deixou sozinha na varanda, precisei d alguns minutos para conseguir assimilar tudo o que tinha acontecido comigo, até que a realidade me atingiu.
         Ele havia me beijado.
         Depois disso não consegui me concentrar em mais nada a minha volta. Corri para o meu quarto e fui para a janela de onde podia ficar observando o galpão onde ficava ele e os seus amigos. A manhã e a tarde se passaram arrastando para mim. O tempo simplesmente não passava.
         Na hora do almoço, a empregada da casa Sue, me chamou para comer. Na verdade, eu nem prestei atenção no que comia. Era tudo automático. Percebi que meus pais conversavam, mas nem prestei atenção para saber qual assunto se tratava. Tentei acabar minha refeição o mais rápido o possível, para voltar logo para o meu quarto.
         A certa altura da tarde, eu vi Edward saindo montado em um cavalo de pêlos marrom brilhantes. Pelo rumo que ele ia, era para o caminho que dava para o rio que cortava a fazenda. Sai praticamente correndo do quarto e no caminho esbarrei em Rose que me olhou interrogativamente. Somente acenei para ela. Não tinha tempo para explicações.
         Corri até onde os cavalos eram cuidados e vi o capataz celando o cavalo que meu pai comprou quando eu anda era bebê. Aproveitei que ele estava no jeito de ser montado e corri na direção em que vi Edward indo.
         Foi muito bom correr com ele. Trovão era veloz e consegui ultrapassá-lo rapidamente. Conversamos um pouco a beira do rio e quando me dei conta, estava por cima de Edward o beijando com volúpia. Suas mãos firmes estavam em minha cintura, enquanto as minhas estavam presas aos seus cabelos acobreados.
         Em certo momento, Edward me pegou no colo e correu comigo. Eu não via para onde ele ia. Minha mente estava embriagada com a presença dele. Tudo que vinha dele me deixava assim... o seu cheiro, sua voz, seus traços perfeitos, seus olhos verde-esmeralda me fitando... me deixava fora de mim.
         Depois ele parou por uns instantes que vi para onde estávamos indo. Nós estávamos em frente ao riacho. Quando olhei no rosto de Edward e li as intenções estampadas em seus olhos eu me apavorei.
         Não. Eu entendi bem? Ele iria pular comigo no seu colo?
         - Você não faria iss.... – ele não me deixou terminar a frase e pulou nas águas sob meus protestos.
         Somente quando mergulhamos que percebi o quanto minha pele estava quente. O contato com a água fria fez meu corpo inteiro se arrepiar.
         Edward havia me soltado assim que mergulhamos. Assim que consegui emergir vi o olhar dele percorrendo cada detalhe do meu corpo. Seus olhos estavam febris e mais escuros. As esmeraldas derretidas me encararam por um minuto com o que me pareceu desejo.
         Senti minhas bochechas esquentarem enquanto ele se aproximava de mim. Quando estávamos a apenas centímetros um do outro seus braços rodearam minha cintura e sua boca buscou a minha de modo quase desesperado. Sua língua pediu passagem, a qual cedi sem hesitar. Seu sabor era doce, viciante. Logo nossas línguas se enroscavam uma na outra, numa batalha sem vencedores ou perdedores.
         Ainda bem que as águas ali não eram tão profundas, ou eu já teria afundado. Edward me puxou contra si, não permitindo que restasse alguma mínima distancia entre nós. Minhas mãos fizeram o conhecido caminho para sua nuca e agarraram seus cabelos acobreados e úmidos pela água.
         Quando o ar se fez necessário, Edward desceu beijos por meu pescoço, aproximando-se perigosamente do decote do meu vestido. Depois subiu o trilho de beijos ate o meu ouvido e mordiscou o lóbulo, me fazendo gemer baixinho.
         Minhas pernas fraquejaram e seus braços passaram a sustentar todo o meu peso. Eu estava quente. O calor percorria as minhas veias numa velocidade alucinante, se acumulado lá em baixo. Friccionei minhas coxas tentando apaziguar o calor que ali se formava.
         Uma das mãos dele subiu por meu corpo, me causando arrepios por onde passava. Depois passou os dedos longos por minha nuca me fazendo estremecer por uma sensação completamente nova que se apossava de mim. Num movimento rápido, ele puxou a grampo que segurava meus cabelos e os soltou, fazendo que caíssem em cascatas por minhas costas molhadas.
         Ele encarou meus olhos profundamente, como se através deles, pudessem ver minha alma. Sua boca mais uma vez encontrou a minha, só que mais calma, como se tivesse apreciando o sabor. A mão que estava em minha nuca desceu para o elástico do meu decote e brincou com ele por uns instantes, ora enrolando nos dedos, ora os puxando levemente.
         Ainda com os lábios se movendo junto aos meus, sua mão desceu uma das alças do meu vestido. Sua boca abandonou a minha e desceu ate o ombro descoberto e deu varias mordidinhas de leve ali, para logo depois passar sua língua quente, me fazendo soltar mais um gemido.
         O som de meu gemido pareceu incentivá-lo. Ele passou a dar mordidinhas em meu pescoço, enquanto uma mão descia até a minha coxa, fazendo um carinho leve ali e depois subindo devagar.
         Eu não sabia que sentimentos e desejos poderosos eram esses que tomaram meu corpo naquele instante. Eu tinha necessidade. Eu queria. Mas não fazia idéia do que fazer.
         Sua mão grande afastou levemente minhas pernas, enquanto subia um pouco a saia do vestido, que não era tão longa – um pouco acima dos meus joelhos.
         Um de seus dedos passou levemente por cima do tecido fino que cobria a minha fenda, até então intocada. Um gemido escapou de ambos com esse contando. Meu corpo arqueou em direção ao dele.
         Sua mão grande serpenteou novamente por meu corpo, parando nas minhas costas, brincando com os botões do meu vestido, até que ele começou a desabotoar um por um, bem lentamente.
         Um flash de lucidez passou por minha mente por meros segundos mais foi o suficiente para que eu me desse conta da loucura que estava prestes a cometer.
         Meu Deus... eu estava dentro do rio, com um homem que conheci oficialmente a apenas algumas horas e eu estava prestes a me entregar a ele.
         Eu precisava parar... mas ali nos braços dele eu me sentia tão bem. Quase como se fosse certo. De má vontade, desci minhas mãos que estavam em seus cabelos macios e as infiltrei pela sua camisa, encontrando os primeiros botões já abertos. Passei minhas unhas sobre o seu peitoral, arranhando levemente, fazendo escapar um gemido da sua garganta. Passei os dedos sobre os lugares que ranhei e depois o tentei afastar.
         Ele, que nesse instante mordiscava e beijava o meu pescoço, pecebeu minha intenção e se afastou lentamente, selando uma ultima vez nossos lábios.
         - Desculpe – sua voz não passava de um sussurro rouco. Seus braços se estreitaram a minha volta e ele pousou sobre a minha cabeça. Senti uma lufada de ar sobre mim, como se ele cheirasse meus cabelos. – eu não sei o que deu em mim.
         Eu nada respondi. Tampouco tive coragem de olhar em seus rosto para ver sua expressão. Apenas me escondi em seu peito, evitando seu olhar.
         Senti seu cheiro másculo, muito próximo de mim, me fazendo suspirar involuntariamente. Edward deve ter entendido errado esse gesto, pois afagou carinhosamente as minhas costas e tentou se afastar.
         - Não... – murmurei. Ainda não estava pronta para me afastar do calor de seu corpo. Eu me sentia bem, ali nos seus braços parecia certo.
         - Shiii – ele disse – temos que sair daqui. Logo irão procurar por você.
         Estava tão distraída com ele que nem percebi que já estava anoitecendo. Olhei em volta e vi nossos cavalos ainda perto do rio, comendo a grama baixa que ali tinha. O único som que se podia ouvir era os nossos corações acelerados.
         - Tem razão. – suspirei. Seu dedo puxou o meu queixo, me obrigando a encontrar o seu olhar.
         Seus olhos que antes estavam escuros de desejo, agora estavam num verde intenso, como esmeraldas brilhantes. Ele soltou um suspiro e falou:
         - vamos? – eu apenas assenti.
         Ele saiu da água primeiro e depois me ofereceu a mão para me ajudar. Assim que sai da água um arrepio de frio percorreu meu corpo, me fazendo estremecer.
         Nossas roupas estavam encharcadas e o tempo estava gelado. Eu tinha certeza que ficaria doente. Olhei para Edward, ele estava na mesma situação que a minha, porém não tremia de frio. Ele andou em direção ao seu cavalo e pegou alguma coisa lá. Quando se aproximou de mim que vi que se tratava de um casaco grosso de couro. Ele jogou sobre meus ombros e passou o braço por mina cintura, mantendo o casaco fechado.
         - Obrigada, mas e você? – perguntei. Seu corpo agora estava muito frio, mas ele tentava não demonstrar isso.
         - Você precisa disso mais que eu.
         - Mas você também está com frio. Sinto sua pele gelada.
         - Não estou falando disso. – ele riu – Você quer chegar na fazenda com esse vestido transparente? – ele me lançou um sorriso torto lindo.
         Senti minhas bochechas queimando. Não tinha percebido que minha roupa ficara transparente. Só de imaginar o que ele tinha visto minhas bochechas alcançavam vários tons de vermelho.
         Ouvi sua risada e depois senti seus braços se estreitando a minha volta. Nós estávamos andando e ele puxava os dois cavalos com uma das mãos.
         - Não quero que fique doente. – disse ele por fim.
         -Por quê? Por que se preocupa comigo se nem ao menos me conhece?
         - Não sei. – ele não disse mais nada.
         O caminho não era tão longo, mas em certo momento ele me mandou montar no meu cavalo, não quis contrariá-lo e obedeci. Ele continuou puxando, sem nada dizer.
         Quando chegamos o terreiro da frente estava totalmente deserto. Ele segurou firmemente em minha cintura e me ajudou a descer. Ficamos nos encarando por um tempo, até que do nada, ele apenas beijou a minha testa e se afastou, levando os animais em direção ao estábulo.
         Fiquei estática alguns minutos, tentando digerir tudo o que tinha me acontecido.
         O vento frio açoitou meu rosto e percebi que ficara com o casaco dele. Corri para dentro de casa, torcendo para não encontrar ninguém no caminho.
         Consegui chegar em meu quarto em sem topar nem mesmo com algum empregado. Coloquei a jaqueta sobre a cadeira de balaço que tinha ali desde que eu era bebê e corri para o banheiro. Precisava de um banho quente e relaxante.
         Me livrei de minhas roupas e fiquei um bom tempo sobre a ducha quente, esperando que ela relaxasse cada um dos meus músculos. Durante o banho, revi em minha mente tudo o que tinha acontecido naquele dia e um sorriso se formou em meu rosto sem que eu percebesse. Apesar de quase termos cometido uma loucura, foi bom estar com ele.
         Sai do banho e vesti um pijama qualquer. Deitei-me na cama meus olhos pesaram. Só então percebi o quão cansada eu estava. Mas antes de dormir eu precisava fazer uma coisa.
         Peguei a jaqueta de couro sobre a cadeira de balanço e corri para a cama. A abracei contra meu peito e aspirei o seu cheiro que estava impregnado ali.
         E assim, sentido o seu cheiro tão próximo de mim, dormi tranquia.


Continua....

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